AS MULTAS DE VALORES DESPROPORCIONAIS APLICADAS PELO FISCO

AS MULTAS DE VALORES DESPROPORCIONAIS APLICADAS PELO FISCO E AS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Há muito se discute nos tribunais a constitucionalidade das multas de valores exorbitantes ou de valores muito altos, contribuinte deixar de pagar ou pagar com atraso, os valores por ele devidos.
 E apesar de tributo  e multa  possuírem definições jurídicas diferentes, o Supremo Tribunal Federal, acertadamente, não faz distinção quanto à aplicação do Princípio Constitucional da Vedação de Confisco.
As multas são classificadas em três espécies, conforme definiu o  Ministro Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, no Agravo Regimental em Agravo de Instrumento 727.872/RS:
 No direito tributário, existem basicamente três tipos de multas: as moratórias, as punitivas isoladas e as punitivas acompanhadas do lançamento de ofício. As multas moratórias são devidas em decorrência da impontualidade injustificada no adimplemento da obrigação tributária. As multas punitivas visam coibir o descumprimento às previsões da legislação tributária. Se o ilícito é relativo a um dever instrumental, sem que ocorra repercussão no montante do tributo devido, diz-se isolada a multa. No caso dos tributos sujeitos a homologação, a constatação de uma violação geralmente vem acompanhada da supressão de pelo menos uma parcela do tributo devido. Nesse caso, aplica-se a multa e promove-se o lançamento do valor devido de ofício. Esta é a multa mais comum, aplicada nos casos de sonegação.

Em decorrência dessa equiparação, o STF já decidiu os seguintes pontos em relação às multas:
• A multa não pode ser superior ao valor do Tributo - RE 833106 AgR / GO - GOIÁS  - Relator  Min. MARCO AURÉLIO - Julgamento:  25/11/2014.
• A multa moratória deverá ter como teto 20% do valor da obrigação principal. AI 727872 AgR / RS - RIO GRANDE DO SUL  - Relator  Min. ROBERTO BARROSO - Julgamento:  28/04/2015      
E em sede de Repercussão Geral se aguarda uma posição do STF sobre os seguintes pontos:
• PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05%, aplicada à operação que não gerou débito tributário. RE 640452 RG / RO – RONDÔNIA - Relator  Min. Roberto Barroso        
• MULTA FISCAL QUALIFICADA. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. 150% SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO NÃO PAGA, NÃO RECOLHIDA, NÃO DECLARADA OU DECLARADA DE FORMA INEXATA (ATUAL § 1º C/C O INCISO I DO CAPUT DO ARTIGO 44 DA LEI FEDERAL Nº 9.430/1996). VEDAÇÃO AO EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. QUESTÃO RELEVANTE DOS PONTOS DE VISTA ECONÔMICO E JURÍDICO. TRANSCENDÊNCIA DE INTERESSES. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. RE 736090 RG / SC - SANTA CATARINA - Relator  Min. LUIZ FUX - Julgamento: 29/10/2015          
O certo é que as multas nada mais são do que corolários dos tributos, e se esses não podem ser cobrados com efeito de confisco, logo, essas de igual forma não podem.
Portanto, tanto o contribuinte pessoa física e jurídica, como o fisco devem ficar atentos aos julgamentos do Supremo Tribunal Federal para aqueles não terem os direitos violados e estes não violarem direitos.
Brasília, 12 de fevereiro de 2016. 

aplicadas pelo fisco – municipal, estadual e federal, face ao disposto no art. 150, inciso IV da Constituição Federal, que assim dispõe: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
...
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Confisco é uma palavra que tem como sinônimos, dentre outros sentidos: tomar, roubar, sequestrar, apreender, arrebatar, como se vê em todos os dicionários da língua portuguesa. E o texto constitucional, ao eleger essa palavra, obviamente veda a cobrança de multas que extrapolem o valor correspondente ao ressarcimento dos prejuízos que o erário ou órgãos arrecadadores de tributos sofreram em razão de o 
Dra. LIRIAN SOUSA SOARES CAVALHERO
Mestre em Direito, sócia da Ope Legis Consultoria Empresarial, e Consultora de entidades de classe e empresas.
www.opelegis.com.br

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   Art. 3º toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada - Código Tributário Nacional.
  CALMON, Sacha. Infrações tributárias e suas sanções. 1ª. ed. São Paulo: Resenha Tributária, 1982. p. 43. Multa é prestação pecuniária compulsória instituída em lei, tendo por causa a prática de um ilícito, cobrada administrativamente.